Eu Slingo, e tu?

“Slingar, o que é isso?” foi o que passou pela cabeça da maioria ao ler o título. Ora então: é um porta bebés, idealmente ergonómico, que facilita o apego entre bebé e quem o carrega (vamos chamar essa pessoa de ‘mãe’, só para facilitar a escrita, sendo que pode ser pai, educadora, ama, tia, etc.).

Usar um sling é deveras importante, pois é como dar colo, mas sem usar os braços! Assim é possível fazer as tarefas do dia-a-dia com o bebé bem juntinho. O colo já foi alvo de vários estudos que demonstraram ser preponderante para o bom desenvolvimento de um bebé.  Nos primeiros meses, o bebé ao estar tão próximo da mãe, consegue regular a sua temperatura e respiração. Com o hábito, torna-se um lugar de proximidade, de conforto, emocional e físico. Esta forma de carregar o bebé é chamada de babywearing, e existem à venda várias opções para as diferentes necessidades e gostos pessoais.

Existem diferentes tipos de porta-bebés, sendo que os comercializados atualmente e que são ajustáveis (ou seja, poder ser usado por várias pessoas com estaturas diferentes) chamam-se de: Pano, Pano elástico, Sling de argolas, Mochila e Mei-tai.

Eu comecei por usar um pano elástico que me emprestaram, mas não me senti confortável: era muito comprido e nos primeiros dias não era fácil decorar as voltas para fazer a amarração. No tempo que eu levava para prender o meu bebé a mim, já ele tinha sujado outra fralda, e o processo tinha de recomeçar após a muda (tenho de deixar claro que o meu bebé fazia cocós muitoooo frequentes).

Dizem que com a prática, a amarração dos panos torna-se simples e rápida. E eu acredito, pelos vídeos que vejo de consultoras que demoram 1 minuto se tanto. Mas naquele momento senti que precisava de outra opção. Acabei por comprar uma mochila, que é tão rápida de por, como de tirar: 2 segundos! Estas só são aconselhadas após o bebé saber sentar, no entanto algumas trazem um redutor para poderem ser usadas antes disso, é um assunto em que não encontrei consenso. Penso que o mais importante de tudo é que o bebé e a mãe esteja confortáveis e em posições ergonómicas.

Confesso que atualmente já me sinto confiante em usar um pano, dos não elásticos- Existem deles em algodão, bambu, cânhamo e linho (e outros materiais de origem animal que eu não apoio). As marcas e preços variam muito, e existem tamanhos adequados para a estatura da mãe, peso e idade do bebé/criança.

Chamo a atenção para um detalhe: marcas muito conhecidas mas não especializadas em slings vendem porta-bebés não ergonómicos! Estes possuem estruturas rígidas e não garantem uma ampla abertura de pernas. Muitas delas anunciam ainda que os pais podem carregar o bebé virado de costas para a mãe, uma posição que não é natural para um bebé que passou tanto tempo enroladinho dentro da barriga dela. Esses bebés são carinhosamente chamados de ‘pendurus’ pois ficam pendurados pelas virilhas. Quando vejo um e tenho oportunidade de falar com o adulto que o carrega, tento abordar este assunto, pois muitos desconhecem o babywearing.

A posição de conforto dos pequenos é virado de frente para a mãe, seja no peito ou nas costas dela. As suas costas devem fazer o formato de um C e as pernas de um M, sendo que o rabinho fica pendurado abaixo dos joelhos como se estivesse num baloiço.

É um mundo com muita informação! Quando precisei descobrir mais sobre slings junto de uma comunidade, juntei-me ao grupo Babywearing Portugal e ao Slingólicas Anónimas. A gestora deste último, é uma consultora muito acessível aqui em Portugal, a Tais autora do projeto Slingocoisas (cujo logotipo foi criado por mim, espero que gostem!). Existem ainda grupos de venda de slings usados que ficam mais em conta e/ou que servem a experimentações antes de uma grande decisão. Existem alguns tutoriais de referência a nível mundial: Wrap you in love, MamaÉ me mima e Mãe que vai.

Desde que percebi a importância do babywearing, que ajudo a divulgar, e sirvo de ponto de contacto da marca Love&Carry em Portugal. Os artigos desta marca por serem feitos fora da Europa (Ucrânia) conseguem ser mais em conta, no entanto cumprem os requisitos e têm certificação europeia (eu mesma verifiquei os resultados dos testes de segurança realizados em laboratório independente). Tenho também de salientar que as mochilas AIR da marca têm opção de Verão, com painel em rede tornando-a muito fresca! Caso estejam interessados em experimentar (Aveiro, Coimbra ou Faro) ou mesmo comprar pois já estão rendidas, falem comigo!

OBS: Por curiosidade vou ainda deixar os nomes dos slings tradicionais, alguns com usos específicos para além de carregar bebés, pois é uma arte milenar: Rebozo no México, Manta no Perú, Parraje no Guatemala, Amauti no Alaska e Canadá, Bilum na Papua-Nova Guiné, Selendang na Indonésia, Mei-tai/Hmong/Bei na China, Onbuhimo no Japão, Podaegi na Coreia, Siol Fagu no País de Gales e Khanga por toda a Africa.

Anúncios

comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s